30 de jan de 2013

Resenha: Quando Nietzsche Chorou

Sinopse:
Josef Breuer, um dos pais da psicanálise, está prestes a se deparar com um grande desafio: tratar o filósofo Friedrich Nietzsche, atormentado por uma crise existencial e por uma depressão suicida. Mentor de Freud, Breuer, entretanto, vive também um momento de angústia, obcecado pelas fantasias sexuais com Anna O., jovem que tratou com seu novo método terapêutico. 
O encontro destes dois homens extraordinários resulta numa profunda amizade, aqui recriada pela imaginação poderosa de Irvin D. Yalom, conhecido psiquiatra e escritor renomado. Tomando como pano de fundo a Viena do final do século XIX, ele constrói um romance apaixonante, em que realidade e ficção se misturam, assim como a literatura, a filosofia e a psicanálise.

Minhas impressões:
O livro trata de encontros fictícios entre personagens reais. Nietzsche, até onde se sabe, nunca encontrou com dr. Breuer nem ao menos passou por qualquer tipo de tratamento psicanalítico. Foi esse aspecto que me chamou mais atenção. Como o autor conseguiria unir eventos e acontecimentos reais ocorridos separadamente entre grandes homens e colocá-los numa linha de ficção em que tudo se encaixa? Esse é o grande diferencial desse livro!
Quando Nietzsche Chorou é muito bem amarrado, trazendo o momento do germinar da psicanálise para o centro da discussão. Como fazer um paciente como Nietzsche cooperar? Pior ainda: como fazê-lo cooperar sem saber que estaria sendo tratado? Breuer recebe tal missão de uma jovem russa muito atraente, Lou Salomé, que diz estar preocupada com seu amigo Friedrich (Nietzsche), um homem brilhante que, ela clama, será o futuro da filosofia e que sofre de impulsos suicidas. Breuer concorda em tratá-lo a partir de sua embrionária terapia pela conversa que, ainda sem grandes confirmações científicas, foi sua grande aposta ao tratar de uma paciente especial que sofria de histeria.
Tendo sido avisado da resistência do paciente com relações de poder, o médico decide tratar dos sintomas clínicos graves apresentados por ele. É sabido que o filósofo não cooperaria com alguém querendo saber de si, de sua intimidade, não permitiria que alguém detivesse tanto poder sobre ele. Breuer terá que tratar do que diagnosticou como enxaqueca para conseguir se aproximar de seu paciente, que ganha sua admiração. 
O que achei mais interessante foi a proposta do médico em tratar de suas questões psicológicas com quem passa a vida estudando as mazelas humanas, um filósofo. Ele se coloca no lugar de quem será tratado buscando a empatia de Nietzsche ao ponto dele mesmo querer revelar sua intimidade. O processo de transformação da relação deles é curiosa e instigante para o leitor, uma vez que conseguimos ver Breuer lentamente sendo o paciente de fato nas sessões de terapia. Ele deseja se livrar de uma obsessão, sua paciente Anna O., e acaba se permitindo "ser tratado" pelo filósofo, não mais tentando ganhar sua confiança, mas se abrindo para ele de fato. A surpresa vem quando Nietzsche passa a demonstrar querer confiar seus segredos ao médico e parar de relutar quando questionado sobre seus relacionamentos e impressões com o sexo feminino.
Ao longo do livro levantam-se questões éticas do relacionamento médico-paciente e podemos também compreender como se deu os pensamentos iniciais de Freud para desenvolver a psicologia e sua teoria do subconsciente. Tudo isso é muito bem amarrado em meio a histórias e acontecimentos reais, como as personagens de Lou e Anna, que realmente existiram, as doenças físicas (e quem sabe psíquicas) de Nietzsche e o relacionamento de Breuer com Freud. Recomendo fortemente esse livro para aqueles que não têm preguiça de pensar e se instigam com conversas inteligentes e argumentos complexos e bem construídos! O autor supera as expectativas ao criar uma narrativa contínua que prende o leitor e desenvolve pensamentos complexos de grandes mentes reais em uma ficção de alta qualidade! 

Por Ju Oliveira

5 comentários:

  1. Eu pessoalmente apreciei...achei intrigante e instigante este livro.

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  2. qual e o tema tratado nesse enredo

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  3. esse tema e importante pra sociedade brasileira

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  4. Eu assisti o filme(muit bom)e fiquei interessadíssimo em ler esse livro,pois sou fã do gênio alemão,e já li alguns livros dele,e gosto muito da sua filosofia!

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  5. Fabuloso . Leitura para poucos. Altissimo nivrel do intelecto

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